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em tons de azul e lima
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Avó,
pode parecer patologia sistemática (hihi) estar a escrever-te. E quem por acaso aqui vier parar pode pensar: “esta miúda está maluquinha”.
Mas só nós sabemos o quanto nos divertíamos a fazer a Árvore de Natal. O comprar das prendas. Arranjar meios de as outras pessoas nos darem coisas para irmos distribuir pelas crianças que não tinham Natal.
Tudo isso me deixa muitas saudades tuas e era nesta semana que nos costumávamos organizar.
Pois aqui estou. Continuando a nossa cumplicidade sabendo que me vais ajudar, estando onde estiveres.
da tua neta Thita
posted by MANUELA CINTRA @
11:13 AM
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Quarta-feira, Dezembro 05, 2007  |
Avó,
hoje era o dia do vosso aniversário nupcial, e ele continua a pensar em ti.
da tua neta Thita.
posted by MANUELA CINTRA @
9:07 AM
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Sexta-feira, Novembro 23, 2007  |
da tua neta Thita.
Hoje é dia dos entes queridos, diz-se tradicionalmente. Para mim, não!
Todos os dias serão feitos de saudades tuas. De afectos e recordações que não consigo desprender do coração que julgava forte. Mas aqui estou. Juntando-me à tradição da importância que este dia possa ter, tentando descortinar a tua estrela e estar um bocadinho ao pé de ti.
Com amor,
eduardo
posted by MANUELA CINTRA @
11:59 AM
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Quinta-feira, Novembro 01, 2007  |
Quando aqui venho nunca sei por onde começar, Nela.
Tive sempre a sensação de ser um tipo forte que aguenta qualquer dissabor ou qualquer agrura que a vida é pródiga em nos testar. Mas na situação que não esperava viver tão cedo, sinto-me embaraçado. Perdido. Quase no limite duma angústia que não cessa de me provocar.
Perdi já alguns passos de espera e sinto-me fechado num quarto escuro. Não consigo encontrar certas esquinas dos nossos cantos e encantos que nunca esqueço. Pareço um puto a quem roubaram o pião. A quem fecharam a loja dos brinquedos e outras fantasias.
Fazes-me tanta falta…
eduardo
posted by MANUELA CINTRA @
2:15 PM
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Quinta-feira, Outubro 25, 2007  |
Minha querida Nela,
Sei que jamais querias que os abismos e os buracos negros tomassem conta do futuro. Do nosso. Do das crianças, e de todos quantos são e fazem parte das nossas recordações. Também eu jamais te esquecerei.
Mesmo que a raiva das palavras queiram apoderar-se dos dias em que a fraqueza humana mais vacila, tenho plena consciência de que me ajudarás a voltar. A regressar à pessoa que sempre fui e que por agora ainda se encontra em fuga.
Por que caminhos, ainda não sei. Mas o teu exemplo de mulher e mãe, ajudar-me-ão a encontrar os melhores.
eduardo
posted by MANUELA CINTRA @
5:33 PM
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Quarta-feira, Outubro 03, 2007  |
Querida Avó
Hoje é dia vinte e três. Um dia especial que celebrávamos em conjunto e que se perpetuará com o Avô.
Deixo-te uma rosa vermelha que tanto gostavas e sento-me aqui um bocadinho no teu canto que tanto prazer me dá com um poema da Márcia Maia a fazer-nos companhia no livro que estavas a ler. (Em Queda Livre)
“porque sou do deserto e ele me chama
(bem sei: prefiro à luz a vaga bruma)
escondo-me entre a onda e a espuma
de quem não sabe ainda se me ama.
hesito entre partir na tarde ausente
do azul que tanto amo e se desfaz
(negrume de organdi que a noite traz)
persisto nesta busca improcedente?
pois tu – não virás! – bem sei agora
(fantasmas te povoam peito e mãos)
e em sendo vã a espera o que esperar?
escuso-me ao crepúsculo a à aurora.
depois por ser deserto abraço o mar
que sei que me há-de colher em seus desvãos."
da Thita. Pois sei que estás ao pé de nós.
posted by MANUELA CINTRA @
10:21 AM
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Domingo, Setembro 23, 2007  |
Os revezes da fortuna traíram as palavras que julgava certas.
No entanto, na tua falta, a minha vida tem de continuar. Talvez um pouco mais distante das coisas, mas, ainda assim, continuar presente. Com garra. Fazer valorizar todos estes anos em que me ensinaste a dar atenção a outras que julgava fúteis.
Nestas situações, ninguém pode deixar-se cair e arrastar numa onda de raivas contra o que temos como única certeza.
Aqui jazes, mas ficarás para sempre na memória do que me de melhor me aconteceu.
Deixo-te um beijo caloroso e quente na pedra fria que teima em tentar-me morrer contigo.
eduardo
A minha avó escreveu um texto que ainda guardo nos meus caderninhos escondidos.
"Ao contrário da paixão, as palavras de amor fazem doer. Ferem a alma e agridem o coração. Provocam espasmos no nosso próprio ser, na nossa destilada ira, e fazem sangue. Porque amamos e somos reais.
Por isso eu sei que fazem bem.
Aos olhos de outros, por muito que doa e faça sentir, o Amor assim votado não é, nem pode ser, uma jogada perdida e mal paga ou um penalty falhado à boca da regra e dos limites.
Prevalece mais o não ganhar. Impõe-se mais retribuir tudo aquilo que somos, fomos ou gostaríamos de ter sido. Daí, naturalmente, que sintamos saudades das coisas boas. De gotas de orvalho e erva fresca. Da chuva miudinha e areais com muito sol. De gente só, triste, calada por uma vida ingrata depois de tantos anos de sorrisos. Dia de nunca descrever o que sinto ou, por acaso ou por destino, um dia de calar e esconder o que vai no coração.
Viverei para o saber? Sou muito bem capaz de não..."
da Thita. Estejas onde estiveres.
posted by MANUELA CINTRA @
6:54 PM
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Segunda-feira, Setembro 03, 2007  |
mais um dia 23, amor,
que de tanto o amar
me envolvo
perdidamente
e de me achar tão certo
valho-me do saber
que de te amar eternamente
nunca sei quando me perco
eduardo
posted by MANUELA CINTRA @
10:42 AM
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Quinta-feira, Agosto 23, 2007  |
Avó, tu que tanto gostas do mar e do rio que te viu nascer, deixo-te aqui como lembrança um dos teus posts mais bonitos que escreveste.
Deste mar te vejo
e neste mar te amo
revolta em palavras que não sei
e em ondas que me trespassa.
És a espuma do meu desejo
onde me enrolo e acamo.
A fúria que afaga e abraça,
e onde me encontrei.
da Thita.
posted by MANUELA CINTRA @
12:13 PM
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Terça-feira, Agosto 21, 2007  |
Aqui jaz
Manuela Cintra - a minha Avó
Mulher dada a causas nobres
Solidária de tudo e de todos
Ímpar de poetas e pobres
com uma só palavra: Amiga.
(Em homenagem à minha Avó, passo a ser eu a tratar deste cantinho que será o local de encontro virtual da Família e Amigos.)
Thita
posted by MANUELA CINTRA @
9:59 AM
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Quarta-feira, Agosto 15, 2007  |
Nada melhor que um aniversário (mais um) para fechar um ciclo. E hoje é o fim deste blog.
Quem sabe arranjarei tempo para iniciar outro... algures
Foi giro!
posted by MANUELA CINTRA @
12:48 PM
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Sábado, Junho 23, 2007  |
Obrigada, Amor.
posted by MANUELA CINTRA @
10:57 AM
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Quarta-feira, Maio 23, 2007  |
Zeca Afonso, sempre
Coro dos caídos
Cantai bichos da treva e da aparência
Na absolvição por incontinência
Cantai cantai no pino do inferno
Em Janeiro ou em Maio é sempre cedo
Cantai cardumes da guerra e da agonia
Neste areal onde não nasce o dia
Cantai cantai melancolias serenas
Como trigo da moda nas verbenas
Canta cantai guisos doidos dos sinos
Os vossos salmos de embalar meninos
Cantai bichos da treva e da opulência
A vossa vil e vã magnificência
Cantai os vossos tronos e impérios
Sobre os degredos sobre os cemitérios
Cantai cantai ó torpes madrugadas
As clavas os clarins e as espadas
Cantai nos matadouros nas trincheiras
As armas os pendões e as bandeiras
Cantai cantai que o ódio já não cansa
Com palavras de amor e de bonança
Dançai ó Parcas vossa negra festa
Sobre a planície em redor que o ar empesta
Cantai ó corvos pela noite fora
Neste areal onde não nasce a aurora
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posted by MANUELA CINTRA @
11:49 AM
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Terça-feira, Fevereiro 27, 2007  |
FELIZ NATAL!!!
posted by MANUELA CINTRA @
6:11 PM
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Sábado, Dezembro 23, 2006  |
Obrigada, Amor!
posted by MANUELA CINTRA @
10:25 AM
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Segunda-feira, Outubro 23, 2006  |
Um dos poemas que nunca me canso de ler ou ouvir.
Aqui ficará. Para a posteridade.
Cavalo à solta
Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.
Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.
Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.
Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.
José Carlos Ary dos Santos
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posted by MANUELA CINTRA @
9:20 AM
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Quinta-feira, Agosto 31, 2006  |
Dedicado a ti
Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.
Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento
este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.
José Carlos Ary dos Santos
posted by MANUELA CINTRA @
12:24 PM
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Domingo, Julho 23, 2006  |
Obrigada!
posted by MANUELA CINTRA @
12:31 AM
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Sexta-feira, Junho 23, 2006  |
Manoel de Barros - (o falso primitivo)
"Ali me anonimei de árvore.
Me arrastei por beiradas de muros cariados desde Puerto Suarez,
Chiquitos, Oruros e Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.
Depois em Barranco, Tango Maria (onde conheci o poeta Cesar Vallejo),
Orellana e Mocomonco - no Peru.
Achava que a partir de ser inseto o homem poderia entender melhor a metafísica.
Eu precisava de ficar pregado nas coisas vegetalmente e achar o que não procurava.
Naqueles relentos de pedra e lagartos,
gostava de conversar com idiotas de estrada e maluquinhos de mosca.
Caminhei sobre grotas e lajes de urubus.
Vi outonos mantidos por cigarras.
Vi lamas fascinando borboletas.
E aquelas permanências nos relentos faziam-me alcançar os deslimites do Ser.
Meu verbo adquiriu espessura de gosma.
Fui adotado em lodo.
Já se viam vestígios de mim nos lagartos.
Todas as minhas palavras já estavam consagradas de pedras.
Dobravam-se lírios para os meus tropos.
Penso que essa viagem me socorreu a pássaros.
Não era mais a denúncia das palavras que me importava
mas a parte selvagem delas, os seus refolhos, as suas entraduras."
posted by MANUELA CINTRA @
10:44 AM
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Quinta-feira, Maio 25, 2006  |
Meu amor, meu amor,
meu corpo em movimento,
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura ,
meu punhal a escrever.
Nós parámos o tempo,
não sabemos morrer.
E nascemos, nascemos
do nosso entristecer.
Meu amor, meu amor,
meu nó e sofrimento.
Minha mó de ternura,
minha nau de tormento.
Este mar não tem cura,
este céu não tem ar.
Nós parámos o vento
e não sabemos nadar.
Morremos, morremos,
devagar, devagar.
José Carlos Ary dos Santos
posted by MANUELA CINTRA @
9:13 PM
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Domingo, Abril 23, 2006  |
Ao contrário da paixão, as palavras de amor fazem doer. Ferem a alma e agridem o coração. Provocam espasmos no nosso próprio ser, na nossa destilada ira, e fazem sangue. Porque amamos e somos reais.
Por isso eu sei que fazem bem.
Aos olhos de outros, por muito que doa e faça sentir, o Amor assim votado não é, nem pode ser, uma jogada perdida e mal paga ou um penalty falhado à boca da regra e dos limites.
Prevalece mais o não ganhar. Impõe-se mais retribuir tudo aquilo que somos, fomos ou gostaríamos de ter sido. Daí, naturalmente, que sintamos saudades das coisas boas. De gotas de orvalho e erva fresca. Da chuva miudinha e areais com muito sol. De gente só, triste, calada por uma vida ingrata depois de tantos anos de sorrisos.
Hoje é dia 23, Amor. Dia de nunca descrever o que sinto ou, por acaso ou por destino, um dia de calar e esconder o que vai no coração.
Viverei para o saber? Sou muito bem capaz de não...
posted by MANUELA CINTRA @
12:19 PM
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Quinta-feira, Março 23, 2006  |
Lembro-me de há tempos ter lido algures num programa de Rádio que ''O meu blogue dava um filme''.
Deu! Noutro contexto, claro, mas deu.
Mas qualquer semelhança com o vencedor dos Oscars é coincidência. Da pura.
posted by MANUELA CINTRA @
10:00 PM
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Terça-feira, Março 07, 2006  |
A Vida lê-se. Salteada a espaços. Faseada entre outras páginas que vamos conhecendo na vida de outra gente.
Desta vez foi "em queda livre". Um livro de Márcia Maia que me apareceu cá em casa por amizade.
(há louça suja à minha espera
na cozinha)
e o amor não passa de um
fantasma maltrapilho
conversa fiada de quem passou
acordada a madrugada
posted by MANUELA CINTRA @
11:57 AM
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Sábado, Janeiro 07, 2006  |
Deste mar te vejo
e neste mar te amo
revolta em palavras que não sei
e em ondas que me trespaça.
És a espuma do meu desejo
onde me enrolo e acamo.
A fúria que afaga e abraça,
e onde me encontrei.
posted by MANUELA CINTRA @
2:09 AM
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Sexta-feira, Setembro 23, 2005  |
"Lembras-te Fátima? Era o que eu sempre te dizia, não somos nada nas mãos do acaso, e não há mais filosofia do que esta: deixar andar, tanto faz, hoje ou amanhã morremos todos, daqui a cem anos que importância tem isto, quem se lembrará de nós? Quem se lembrará de mim, se nem tu já te lembras de mim agora. Tu, a quem tanto amei, não te lembras, e foi há tão pouco, foi ontem, parece, que te levantaste e disseste: «Ficamos amigos como dantes»... E dizias: como dantes e era já noutro que pensavas, olhavas-me e nos teus olhos ria-se a traição, o prazer da liberdade, um desafio alegre, uma alegria provocante e desapiedada, ias a meu lado pela última vez e eu era já um estranho para ti, um fantasma a quem se concede, por caridade, uns momentos mais de companhia, algumas palavras vagas distraídas, um pouco de estima, talvez. Reparei: o teu corpo, oh corpo do meu prazer! oh carne virgem sangrando debaixo de mim! oh meu repouso e minha febre! o teu corpo outrora tão cativo e tão submisso, ficara de repente cerimonioso e esquivo, cauteloso, afastado, com um pudor forçado no puxares a saia sobre os joelhos, como se tivesse uma grande vergonha do despudor com que se dera antes..."
Luiz Pacheco, "Carta a Fátima", Plurijornal Soc. Editora, Setúbal, 1992
posted by MANUELA CINTRA @
10:33 AM
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Segunda-feira, Setembro 05, 2005  |
Completamente varrido, este meu homem. Mas adorei!
Só para que conste.
De longe vieram asas
E chilreios
De andorinhas descobertas sobre o mar
E devaneios
Do mar chegou
O calor do teu afago que me premeia
E nesse teu olhar belo e louco
Pleno de maresia
Existem dedos
Que escrevem as nossas vidas nessa areia.
Telepatia
posted by MANUELA CINTRA @
8:02 AM
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Quarta-feira, Agosto 24, 2005  |
Pintura de Standish Backus (1910-1989)
''Enola Gay departs at 2:45 a.m. for Hiroshima, Japan. The atomic bomb is released over Hiroshima at 8:15 a.m. local time. The aircraft returns to Tinian at 2:58 p.m., twelve hours and thirteen minutes after takeoff.''
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Quinta-feira, Agosto 04, 2005  |
Paixão ardente, tão forte como a de pedro por inês
que em mim ampliou abertamente a vida neste azul imenso
que o tempo não apaga e não pode responder por outro nome
do qual me sirvo com amor intenso
e atingindo-te me atinge com a esperança
de saciar no teu peito a fome até que a fartura cresça
e ver o tempo erguer-se para a vida
neste preciso momento de aliança,
este dia 23 onde o a amanhã começa.
posted by MANUELA CINTRA @
12:46 PM
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Sábado, Julho 23, 2005  |
Rasga esses versos que eu te fiz, Amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!
Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada dum momento.
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...
Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...
Rasga os meus versos... Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...
posted by MANUELA CINTRA @
11:01 PM
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Sexta-feira, Julho 01, 2005  |
Hoje (também) estou feliz!
posted by MANUELA CINTRA @
5:58 AM
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Quinta-feira, Junho 23, 2005  |
As minhas homenagens
Álvaro Cunhal
"A maioria das obras de arte são optimistas, são o espelho da vontade de viver do ser humano."
Morreu hoje, aos 91 anos.
Eugénio de Andrade
"Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos."
Morreu hoje, aos 82 anos.
posted by MANUELA CINTRA @
12:07 PM
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Segunda-feira, Junho 13, 2005  |
João Villaret deixou no mundo do Teatro e da Poesia um vazio que jamais voltou a ser preenchido. Aquela voz que para sempre deixou de dizer poesia, e que nos avassalou com interpretações de obras de tantos e tão grandes poetas como Camões, Pessoa e Régio, será seguramente recordada como um dos maiores talentos portugueses que continuará a orgulhar gerações vindouras.
* Cântico Negro de José Régio - clique para ouvir
* Liberdade de Fernando Pessoa - clique para ouvir
Créditos
posted by MANUELA CINTRA @
12:47 PM
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Segunda-feira, Maio 09, 2005  |
A Ex-Libris é uma Cadeia de Literatura que corre na Internet, mais propriamente nos blogs, e que nos leva a responder a sete perguntas lixadas. A Duende teve a gentileza de pensar que não tenho mais nada para fazer (rs) e passou-me o testemunho.
1. Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
2. Já alguma vez ficaste apanhadinha por uma personagem de ficção?
3. Qual foi o último livro que compraste?
4. Qual foi o último livro que leste?
5. Que livro estás a ler?
6. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
7. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
1 - Ignorando o que será Fahrenheit 451, talvez um livro de cheques.
2 - Ainda continuo.
3 - O Livro de Pantagruel. Houve aniversários cá em casa.
4 - ''Jo''. Acabei à bocadinho. Por isso, ainda estou a responder a estas coisas.
5 - As Páginas Amarelas. Para ver se descubro uma agência de viagens para me levar para a próxima pergunta.
6 - ''Como fazer lume com dois pauzinhos'', ''Memórias de um sobrevivente'', ''1001 maneiras de cozinhar bacalhau'', ''Noites de Luar'' e ''O Homem, esse desconhecido''.
7 - Não passo! Porquê? Ora..., porque não me apetece.
posted by MANUELA CINTRA @
10:43 AM
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Sexta-feira, Abril 22, 2005  |
Para ti
"O homem canta.
E enquanto canta o homem dura.
Porque o seu canto é perceber
que a voz prevalece à criatura."
Natália Correia
posted by MANUELA CINTRA @
11:23 AM
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Terça-feira, Abril 05, 2005  |
Elogio da Sombra
A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)
pode ser o tempo da nossa felicidade.
O animal morreu ou quase morreu.
Restam o homem e a sua alma.
Vivo entre formas luminosas e vagas
que não são ainda a escuridão.
Buenos Aires,
que antes se espalhava em subúrbios
em direcção à planície incessante,
voltou a ser La Recoleta, o Retiro,
as imprecisas ruas do Once
e as precárias casas velhas
que ainda chamamos de Sul.
Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;
Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;
o tempo foi meu Demócrito.
Esta penumbra é lenta e não dói;
flui por um manso declive
e se parece com a eternidade.
Meus amigos não têm rosto,
as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,
as esquinas podem ser outras,
não há letras nas páginas dos livros.
Tudo isso deveria atemorizar-me,
mas é um deleite, um retorno.
Das gerações dos textos que há na terra
só terei lido uns poucos,
os que continuo lendo na memória,
lendo e transformando.
Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte
convergem os caminhos que me trouxeram
ao meu secreto centro.
Esses caminhos foram ecos e passos,
mulheres, homens, agonias, ressurreições,
dias e noites,
entressonhos e sonhos,
cada ínfimo instante do ontem
e dos ontens do mundo,
a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,
os actos dos mortos,
o compartilhado amor, as palavras,
Emerson e a neve e tantas coisas.
Agora posso esquecê-las. Chego ao meu centro,
à minha álgebra e à minha chave,
ao meu espelho.
Breve saberei quem sou.
Jorge Luis Borges
posted by MANUELA CINTRA @
4:41 PM
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Quinta-feira, Março 31, 2005  |
posted by MANUELA CINTRA @
5:58 AM
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Quarta-feira, Março 23, 2005  |
Queixa das almas jovens censuradas
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
Natália Correia, in "O Nosso Amargo Cancioneiro"
posted by MANUELA CINTRA @
12:21 PM
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Terça-feira, Março 08, 2005  |
De longe
Nao chores Mãe... Faz como eu, sorri!
Transforma as elegias de um momento
em canticos de esperanca e incitamento.
Tem fé nos dias que te prometi.
E podes crer, estou sempre ao pé de ti,
quando por noites de luar, o vento,
segreda aos coqueirais o seu lamento,
compondo versos que nunca escrevi...
Estou junto a ti nos dias de braseiro,
no mar...na velha ponte,... no Sombreiro,
em tudo quanto amei e quis p'ra mim...
Nao chores, mãe!... A hora eh de avançadas!...
Nos caminhos certos, de mãos dadas,
e havemos de atingir um dia, o fim...
Alda Lara
posted by MANUELA CINTRA @
9:00 AM
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Sábado, Março 05, 2005  |
Com dedicatória
Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem
Sophia de Mello Breyner Andresen
posted by MANUELA CINTRA @
11:10 AM
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Terça-feira, Fevereiro 15, 2005  |
Segundo entendi, rola por aí um questionário vibrante.
No meu sossegado blog, e pouco conhecido como eu gosto, me descobriram. Fiquei avisada, comprometida e questionada. Já reparei que não vale a pena fugir. Já passei a roupa a ferro, tenho a casa despachada, o marido, os filhos e netos tratados, as compras feitas e a loiça do almoço lavada.
Portanto, vamos a isso!
1. HAVE YOU EVER USED TOYS OR OTHER THINGS DURING SEX?
Magro, de olhos castos, carão moreno,
Bem servido de pés, bem na altura,
Soberbo de fachada, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.
Bocage
2. WOULD YOU CONSIDER USING DILDOS OR OTHER SEXUAL TOYS IN THE FUTURE?
Pus-vos a mão um dia sem saber
que tão robusta e certa artilharia
iria pelos anos fora ser
sinal também de lêveda alegria
Assis Pacheco
3. WHAT IS YOUR KINKIEST FANTASY YOU HAVE YET TO REALIZE?
eu entro
entro
entro
entro dentro
dentro
dentro
dentro de ti
de ti
ti ti ti ti ti
tiro
ponho
tiro ponho, ponho, ponho
Camila Cintra
4. WHO GAVE YOU THIS DILDO?
Hoje o sexo desenhou-se. O pensamento
perdeu-se e renasceu.
Hoje sei permanentemente que ela
é a fonte.
Herberto Hélder
... e as fontes seguintes, são:
- Doendes & Duentes
- Vanus
- Silent Soul
- Puta de vida
posted by MANUELA CINTRA @
10:52 AM
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Domingo, Janeiro 30, 2005  |
Do sentimento trágico da vida
Não há revolta no homem
que se revolta calçado.
O que nele se revolta
é apenas um bocado
que dentro fica agarrado
à tábua da teoria.
Aquilo que nele mente
e parte em filosofia
é porventura a semente
do fruto que nele nasce
e a sede não lhe alivia.
Revolta é ter-se nascido
sem descobrir o sentido
do que nos há-de matar.
Rebeldia é o que põe
na nossa mão um punhal
para vibrar naquela morte
que nos mata devagar.
E só depois de informado
só depois de esclarecido
rebelde nu e deitado
ironia de saber
o que só então se sabe
e não se pode contar.
Natália Correia
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11:07 AM
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Domingo, Janeiro 16, 2005  |
Todos aqueles que podem ter familiares que se encontrem nos países afectados pela tragédia - Índia, Indonésia, Sri Lanka, Maldivas, Tailândia, Myanmar e Malásia - consultem este blog.
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9:56 PM
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Quarta-feira, Dezembro 29, 2004  |
Perguntar duas
Um anjo imaginado,
Um anjo diabético, actual,
Ergueu a mão e disse: É noite de Natal,
Paz à imaginação!
E todo o ritual
Que antecede o milagre habitual
Perdeu a exaltação.
Em vez de excelsos hinos de confiança
No mistério divino,
E de mirra, e de incenso e ouro
Derramados
No presépio vazio,
Duas perguntas brancas, regeladas
Como a neve que cai,
E breve como o vento
Que entra por uma fresta, quizilento,
Redemoinha e sai:
À volta da lareira
Quantas almas se aquecem
Fraternalmente?
Quantas desejam que o Menino venha
Ouvir humanamente
O lancinante crepitar da lenha?
Miguel Torga
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11:09 AM
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Sábado, Dezembro 18, 2004  |
Calai-vos ventos, árvores e mares,
Coro antigo de vozes sem rumor.
Hoje, um dia
Que desperta o sol desta paixão
Incendeia o brilho dos teus olhos
E faz tremer o coração.
Vem aí o meu Amor
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10:28 AM
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Terça-feira, Novembro 23, 2004  |
Se tu viesses ver-me...
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
* Florbela Espanca
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10:55 AM
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Domingo, Novembro 14, 2004  |
Ilha
Deitada és uma ilha e raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
Deitada és uma ilha que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias
David Mourão-Ferreira
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11:34 AM
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Terça-feira, Outubro 12, 2004  |
Para ti, com amor
Da janela do meu mundo
vejo o mar
e nesse mar
chão
profundo
oiço o sorriso dos teus olhos
vejo o bater do coração
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9:37 AM
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Quinta-feira, Setembro 23, 2004  |
Te habla tu niño
Soy la voz que pregunta de reproches cargada,
¿por qué me destruíste si la vida es sagrada?
¿no sabías que al tiempo que de ti me arrancabas
mi derecho a la vida y a la luz me negabas?
posted by MANUELA CINTRA @
12:47 PM
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Terça-feira, Agosto 31, 2004  |
A tarde toda era um fim de tarde.
Fazia um sol de inverno
e ia chover.
0 melro não se sentava
nos galhos do cedro.
Era dia 13.
Walace Stevens e eu
posted by MANUELA CINTRA @
2:46 PM
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Sexta-feira, Agosto 13, 2004  |
Não é Adeus, Mestre. É até sempre, amigo.
Enorme, desajeitado, com o seu eterno sorriso tímido de quem pede desculpa de existir. Sentou-se, aconchegou a guitarra a si, agarrou-se à guitarra e a guitarra a ele, passaram a ser um corpo único, um só tronco de música e de raiva, de sonho e de melodia, de angústia e de esperança, exprimindo por sons tanta coisa que nós não tínhamos palavras para dizer.
posted by MANUELA CINTRA @
5:31 PM
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Sábado, Julho 24, 2004  |
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