Vim numa hora vazia. Quase sem ninguém por perto para te dizer que sinto saudades dos tempos que passámos juntos. Das coisas boas e más por quem toda a gente passa. Das nossas brincadeiras, as nossas intimidades, os nossos momentos de poucos minutos de fama. De alegria. Outras de tristezas. Mas sempre com aquele espírito que só nós sabíamos dar a volta.
Vim numa hora vazia, porque está cumprido um ano em que me sinto sozinho. Triste. Quase abandonado como um cão de quem já ninguém gosta, por ter passado o prazo de validade de cachorro. Talvez traído pela sorte que me destinou esta vida para a qual nunca se pode ser ouvido.
Resta-me a saudade com que te lembro. A lembrança com que marcaste a minha vida. Aquele passo de dança na cozinha quando passava na rádio uma das nossas preferidas. Aquele olhar. O mecanismo da cumplicidade aleatória. O gesto daquele carinho. A dádiva e a retribuição. As mãos dadas no fortalecimento que o dia de seguinte fosse melhor.
Tudo perdido.
O que nunca posso perder é a hora vazia com que te lembro.
Avó,
pode parecer patologia sistemática (hihi) estar a escrever-te. E quem por acaso aqui vier parar pode pensar: “esta miúda está maluquinha”.
Mas só nós sabemos o quanto nos divertíamos a fazer a Árvore de Natal. O comprar das prendas. Arranjar meios de as outras pessoas nos darem coisas para irmos distribuir pelas crianças que não tinham Natal.
Tudo isso me deixa muitas saudades tuas e era nesta semana que nos costumávamos organizar.
Pois aqui estou. Continuando a nossa cumplicidade sabendo que me vais ajudar, estando onde estiveres.
Hoje é dia dos entes queridos, diz-se tradicionalmente. Para mim, não!
Todos os dias serão feitos de saudades tuas. De afectos e recordações que não consigo desprender do coração que julgava forte. Mas aqui estou. Juntando-me à tradição da importância que este dia possa ter, tentando descortinar a tua estrela e estar um bocadinho ao pé de ti.
Quando aqui venho nunca sei por onde começar, Nela.
Tive sempre a sensação de ser um tipo forte que aguenta qualquer dissabor ou qualquer agrura que a vida é pródiga em nos testar. Mas na situação que não esperava viver tão cedo, sinto-me embaraçado. Perdido. Quase no limite duma angústia que não cessa de me provocar.
Perdi já alguns passos de espera e sinto-me fechado num quarto escuro. Não consigo encontrar certas esquinas dos nossos cantos e encantos que nunca esqueço. Pareço um puto a quem roubaram o pião. A quem fecharam a loja dos brinquedos e outras fantasias.
Sei que jamais querias que os abismos e os buracos negros tomassem conta do futuro. Do nosso. Do das crianças, e de todos quantos são e fazem parte das nossas recordações. Também eu jamais te esquecerei.
Mesmo que a raiva das palavras queiram apoderar-se dos dias em que a fraqueza humana mais vacila, tenho plena consciência de que me ajudarás a voltar. A regressar à pessoa que sempre fui e que por agora ainda se encontra em fuga.
Por que caminhos, ainda não sei. Mas o teu exemplo de mulher e mãe, ajudar-me-ão a encontrar os melhores.
Hoje é dia vinte e três. Um dia especial que celebrávamos em conjunto e que se perpetuará com o Avô.
Deixo-te uma rosa vermelha que tanto gostavas e sento-me aqui um bocadinho no teu canto que tanto prazer me dá com um poema da Márcia Maia a fazer-nos companhia no livro que estavas a ler. (Em Queda Livre)
“porque sou do deserto e ele me chama
(bem sei: prefiro à luz a vaga bruma)
escondo-me entre a onda e a espuma
de quem não sabe ainda se me ama.
hesito entre partir na tarde ausente
do azul que tanto amo e se desfaz
(negrume de organdi que a noite traz)
persisto nesta busca improcedente?
pois tu – não virás! – bem sei agora
(fantasmas te povoam peito e mãos)
e em sendo vã a espera o que esperar?
escuso-me ao crepúsculo a à aurora.
depois por ser deserto abraço o mar
que sei que me há-de colher em seus desvãos."
Os revezes da fortuna traíram as palavras que julgava certas.
No entanto, na tua falta, a minha vida tem de continuar. Talvez um pouco mais distante das coisas, mas, ainda assim, continuar presente. Com garra. Fazer valorizar todos estes anos em que me ensinaste a dar atenção a outras que julgava fúteis.
Nestas situações, ninguém pode deixar-se cair e arrastar numa onda de raivas contra o que temos como única certeza.
Aqui jazes, mas ficarás para sempre na memória do que me de melhor me aconteceu.
Deixo-te um beijo caloroso e quente na pedra fria que teima em tentar-me morrer contigo.
eduardo
A minha avó escreveu um texto que ainda guardo nos meus caderninhos escondidos.
"Ao contrário da paixão, as palavras de amor fazem doer. Ferem a alma e agridem o coração. Provocam espasmos no nosso próprio ser, na nossa destilada ira, e fazem sangue. Porque amamos e somos reais.
Por isso eu sei que fazem bem.
Aos olhos de outros, por muito que doa e faça sentir, o Amor assim votado não é, nem pode ser, uma jogada perdida e mal paga ou um penalty falhado à boca da regra e dos limites.
Prevalece mais o não ganhar. Impõe-se mais retribuir tudo aquilo que somos, fomos ou gostaríamos de ter sido. Daí, naturalmente, que sintamos saudades das coisas boas. De gotas de orvalho e erva fresca. Da chuva miudinha e areais com muito sol. De gente só, triste, calada por uma vida ingrata depois de tantos anos de sorrisos. Dia de nunca descrever o que sinto ou, por acaso ou por destino, um dia de calar e esconder o que vai no coração.
Viverei para o saber? Sou muito bem capaz de não..."
Avó, tu que tanto gostas do mar e do rio que te viu nascer, deixo-te aqui como lembrança um dos teus posts mais bonitos que escreveste.
Deste mar te vejo
e neste mar te amo
revolta em palavras que não sei
e em ondas que me trespassa.
És a espuma do meu desejo
onde me enrolo e acamo.
A fúria que afaga e abraça,
e onde me encontrei.
Cantai bichos da treva e da aparência
Na absolvição por incontinência
Cantai cantai no pino do inferno
Em Janeiro ou em Maio é sempre cedo
Cantai cardumes da guerra e da agonia
Neste areal onde não nasce o dia
Cantai cantai melancolias serenas
Como trigo da moda nas verbenas
Canta cantai guisos doidos dos sinos
Os vossos salmos de embalar meninos
Cantai bichos da treva e da opulência
A vossa vil e vã magnificência
Cantai os vossos tronos e impérios
Sobre os degredos sobre os cemitérios
Cantai cantai ó torpes madrugadas
As clavas os clarins e as espadas
Cantai nos matadouros nas trincheiras
As armas os pendões e as bandeiras
Cantai cantai que o ódio já não cansa
Com palavras de amor e de bonança
Dançai ó Parcas vossa negra festa
Sobre a planície em redor que o ar empesta
Cantai ó corvos pela noite fora
Neste areal onde não nasce a aurora
Um dos poemas que nunca me canso de ler ou ouvir.
Aqui ficará. Para a posteridade.
Cavalo à solta
Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.
Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.
Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.
Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.
Ao contrário da paixão, as palavras de amor fazem doer. Ferem a alma e agridem o coração. Provocam espasmos no nosso próprio ser, na nossa destilada ira, e fazem sangue. Porque amamos e somos reais.
Por isso eu sei que fazem bem.
Aos olhos de outros, por muito que doa e faça sentir, o Amor assim votado não é, nem pode ser, uma jogada perdida e mal paga ou um penalty falhado à boca da regra e dos limites.
Prevalece mais o não ganhar. Impõe-se mais retribuir tudo aquilo que somos, fomos ou gostaríamos de ter sido. Daí, naturalmente, que sintamos saudades das coisas boas. De gotas de orvalho e erva fresca. Da chuva miudinha e areais com muito sol. De gente só, triste, calada por uma vida ingrata depois de tantos anos de sorrisos.
Hoje é dia 23, Amor. Dia de nunca descrever o que sinto ou, por acaso ou por destino, um dia de calar e esconder o que vai no coração.
Viverei para o saber? Sou muito bem capaz de não...
A Vida lê-se. Salteada a espaços. Faseada entre outras páginas que vamos conhecendo na vida de outra gente.
Desta vez foi "em queda livre". Um livro de Márcia Maia que me apareceu cá em casa por amizade.
(há louça suja à minha espera
na cozinha)
e o amor não passa de um
fantasma maltrapilho
conversa fiada de quem passou
acordada a madrugada
Deste mar te vejo
e neste mar te amo
revolta em palavras que não sei
e em ondas que me trespaça.
És a espuma do meu desejo
onde me enrolo e acamo.
A fúria que afaga e abraça,
e onde me encontrei.
"Lembras-te Fátima? Era o que eu sempre te dizia, não somos nada nas mãos do acaso, e não há mais filosofia do que esta: deixar andar, tanto faz, hoje ou amanhã morremos todos, daqui a cem anos que importância tem isto, quem se lembrará de nós? Quem se lembrará de mim, se nem tu já te lembras de mim agora. Tu, a quem tanto amei, não te lembras, e foi há tão pouco, foi ontem, parece, que te levantaste e disseste: «Ficamos amigos como dantes»... E dizias: como dantes e era já noutro que pensavas, olhavas-me e nos teus olhos ria-se a traição, o prazer da liberdade, um desafio alegre, uma alegria provocante e desapiedada, ias a meu lado pela última vez e eu era já um estranho para ti, um fantasma a quem se concede, por caridade, uns momentos mais de companhia, algumas palavras vagas distraídas, um pouco de estima, talvez. Reparei: o teu corpo, oh corpo do meu prazer! oh carne virgem sangrando debaixo de mim! oh meu repouso e minha febre! o teu corpo outrora tão cativo e tão submisso, ficara de repente cerimonioso e esquivo, cauteloso, afastado, com um pudor forçado no puxares a saia sobre os joelhos, como se tivesse uma grande vergonha do despudor com que se dera antes..."
Luiz Pacheco, "Carta a Fátima", Plurijornal Soc. Editora, Setúbal, 1992
''Enola Gay departs at 2:45 a.m. for Hiroshima, Japan. The atomic bomb is released over Hiroshima at 8:15 a.m. local time. The aircraft returns to Tinian at 2:58 p.m., twelve hours and thirteen minutes after takeoff.''
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Quinta-feira, Agosto 04, 2005
Paixão ardente, tão forte como a de pedro por inês
que em mim ampliou abertamente a vida neste azul imenso
que o tempo não apaga e não pode responder por outro nome
do qual me sirvo com amor intenso
e atingindo-te me atinge com a esperança
de saciar no teu peito a fome até que a fartura cresça
e ver o tempo erguer-se para a vida
neste preciso momento de aliança,
este dia 23 onde o a amanhã começa.
Rasga esses versos que eu te fiz, Amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!
Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada dum momento.
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...
Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...
Rasga os meus versos... Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...
"A maioria das obras de arte são optimistas, são o espelho da vontade de viver do ser humano."
Morreu hoje, aos 91 anos.
Eugénio de Andrade
"Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos."
João Villaret deixou no mundo do Teatro e da Poesia um vazio que jamais voltou a ser preenchido. Aquela voz que para sempre deixou de dizer poesia, e que nos avassalou com interpretações de obras de tantos e tão grandes poetas como Camões, Pessoa e Régio, será seguramente recordada como um dos maiores talentos portugueses que continuará a orgulhar gerações vindouras.
A Ex-Libris é uma Cadeia de Literatura que corre na Internet, mais propriamente nos blogs, e que nos leva a responder a sete perguntas lixadas. A Duende teve a gentileza de pensar que não tenho mais nada para fazer (rs) e passou-me o testemunho.
1. Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
2. Já alguma vez ficaste apanhadinha por uma personagem de ficção?
3. Qual foi o último livro que compraste?
4. Qual foi o último livro que leste?
5. Que livro estás a ler?
6. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
7. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
1 - Ignorando o que será Fahrenheit 451, talvez um livro de cheques.
2 - Ainda continuo.
3 - O Livro de Pantagruel. Houve aniversários cá em casa.
4 - ''Jo''. Acabei à bocadinho. Por isso, ainda estou a responder a estas coisas.
5 - As Páginas Amarelas. Para ver se descubro uma agência de viagens para me levar para a próxima pergunta.
6 - ''Como fazer lume com dois pauzinhos'', ''Memórias de um sobrevivente'', ''1001 maneiras de cozinhar bacalhau'', ''Noites de Luar'' e ''O Homem, esse desconhecido''.
7 - Não passo! Porquê? Ora..., porque não me apetece.
A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)
pode ser o tempo da nossa felicidade.
O animal morreu ou quase morreu.
Restam o homem e a sua alma.
Vivo entre formas luminosas e vagas
que não são ainda a escuridão.
Buenos Aires,
que antes se espalhava em subúrbios
em direcção à planície incessante,
voltou a ser La Recoleta, o Retiro,
as imprecisas ruas do Once
e as precárias casas velhas
que ainda chamamos de Sul.
Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;
Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;
o tempo foi meu Demócrito.
Esta penumbra é lenta e não dói;
flui por um manso declive
e se parece com a eternidade.
Meus amigos não têm rosto,
as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,
as esquinas podem ser outras,
não há letras nas páginas dos livros.
Tudo isso deveria atemorizar-me,
mas é um deleite, um retorno.
Das gerações dos textos que há na terra
só terei lido uns poucos,
os que continuo lendo na memória,
lendo e transformando.
Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte
convergem os caminhos que me trouxeram
ao meu secreto centro.
Esses caminhos foram ecos e passos,
mulheres, homens, agonias, ressurreições,
dias e noites,
entressonhos e sonhos,
cada ínfimo instante do ontem
e dos ontens do mundo,
a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,
os actos dos mortos,
o compartilhado amor, as palavras,
Emerson e a neve e tantas coisas.
Agora posso esquecê-las. Chego ao meu centro,
à minha álgebra e à minha chave,
ao meu espelho.
Breve saberei quem sou.
Segundo entendi, rola por aí um questionário vibrante.
No meu sossegado blog, e pouco conhecido como eu gosto, me descobriram. Fiquei avisada, comprometida e questionada. Já reparei que não vale a pena fugir. Já passei a roupa a ferro, tenho a casa despachada, o marido, os filhos e netos tratados, as compras feitas e a loiça do almoço lavada.
Portanto, vamos a isso!
1. HAVE YOU EVER USED TOYS OR OTHER THINGS DURING SEX?
Magro, de olhos castos, carão moreno,
Bem servido de pés, bem na altura,
Soberbo de fachada, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.
Bocage
2. WOULD YOU CONSIDER USING DILDOS OR OTHER SEXUAL TOYS IN THE FUTURE?
Pus-vos a mão um dia sem saber
que tão robusta e certa artilharia
iria pelos anos fora ser
sinal também de lêveda alegria
Assis Pacheco
3. WHAT IS YOUR KINKIEST FANTASY YOU HAVE YET TO REALIZE?
eu entro
entro
entro
entro dentro
dentro
dentro
dentro de ti
de ti
ti ti ti ti ti
tiro
ponho
tiro ponho, ponho, ponho
Camila Cintra
4. WHO GAVE YOU THIS DILDO?
Hoje o sexo desenhou-se. O pensamento
perdeu-se e renasceu.
Hoje sei permanentemente que ela é a fonte.
Todos aqueles que podem ter familiares que se encontrem nos países afectados pela tragédia - Índia, Indonésia, Sri Lanka, Maldivas, Tailândia, Myanmar e Malásia - consultem este blog.
Um anjo imaginado,
Um anjo diabético, actual,
Ergueu a mão e disse: É noite de Natal,
Paz à imaginação!
E todo o ritual
Que antecede o milagre habitual
Perdeu a exaltação.
Em vez de excelsos hinos de confiança
No mistério divino,
E de mirra, e de incenso e ouro
Derramados
No presépio vazio,
Duas perguntas brancas, regeladas
Como a neve que cai,
E breve como o vento
Que entra por uma fresta, quizilento,
Redemoinha e sai:
À volta da lareira
Quantas almas se aquecem
Fraternalmente?
Quantas desejam que o Menino venha
Ouvir humanamente
O lancinante crepitar da lenha?
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Soy la voz que pregunta de reproches cargada,
¿por qué me destruíste si la vida es sagrada?
¿no sabías que al tiempo que de ti me arrancabas
mi derecho a la vida y a la luz me negabas?